nte triste.
- Pretendo parar em Winterfell a caminho do sul. Se
houver alguma mensagem que deseje que eu
entregue...
- Diga a Robb que vou comandar a Patrulha da
Noite e mantê-lo a salvo, e, portanto ele bem pode
aprender a tricotar com as moças e dar a espada a
Mikken para que a derreta para ferraduras.
- Seu irmão é maior que eu - disse Tyrion com uma
gargalhada. - Declino a entrega de qualquer
mensagem que possa me matar.
- Rickon perguntará quando volto para casa. Tente
lhe explicar onde estou, se for possível, Diga-lhe que
pode ficar com todas as minhas coisas enquanto eu
estiver fora; ele gostará disso,
Tyrion pensou que as pessoas pareciam estar lhe
pedindo muitas coisas naquele dia.
- Sabe que pode pôr tudo isso numa carta, não sabe?
- Rickon ainda não sabe ler. Bran... - parou
subitamente. - Não sei que mensagem enviar a Bran.
Ajude-o, Tyrion.
- Que ajuda eu poderia lhe dar? Não sou nenhum
meistre para lhe atenuar as dores. Não possuo
feitiços para lhe devolver as pernas.
- Ajudou-me quando precisei - disse Jon Snow.
- Não te dei nada - Tyrion respondeu. - Palavras.
- Nesse caso, dê também a Bran as suas palavras.
- Você está pedindo a um coxo que ensine um
aleijado a dançar - Tyrion retrucou. - Por mais
sincera que seja a lição, é provável que o resultado
seja grotesco. Mas sei o que é amar um irmão, Lorde
Snow. Darei a Bran qualquer pequena ajuda que
esteja ao meu alcance.
- Obrigado, meu senhor de Lannister - Jon tirou a
luva e ofereceu a mão nua. - Amigo. Tyrion deu por
si estranhamente comovido.
- A maior parte de meus parentes são bastardos -
disse com um sorriso cansado -, mas você é o
primeiro que tive como amigo - descalçou uma luva
com os dentes e agarrou a mão de Snow, carne contra
carne. A mão do rapaz era firme e forte.
Depois de voltar a calçar a luva, Jon Snow virou-se
abruptamente e caminhou até o baixo e gelado
parapeito norte. Para lá dele a Muralha caía
bruscamente, havia apenas escuridão e regiões
selvagens. Tyrion o seguiu, e lado a lado ergueram-se
no limite do mundo.
A Patrulha da Noite não permitia que a floresta se
aproximasse mais de uma milha da face norte da
muralha. Os matagais de pau-ferro, árvores
sentinelas e carvalhos que em outros tempos
cresceram ali, havia séculos tinham sido abatidos
para criar uma vasta extensão de terreno aberto
através do qual nenhum inimigo poderia esperar
passar sem ser visto. Tyrion ouvira dizer que em
outros locais da Muralha, entre as três fortalezas, a
floresta viera se aproximando ao longo das décadas,
que havia locais onde sentinelas cinza-esverdeadas e
represeiros esbranquiçados tinham criado raízes à
sombra da própria Muralha, mas Castelo Negro tinha
um prodigioso apetite por lenha, e ali a floresta
ainda era mantida afastada pelos machados dos
irmãos negros.
Mas nunca estava longe. Dali, Tyrion podia vê-la, as
árvores escuras que se erguiam para lá da extensão
de terreno aberto, como uma segunda muralha
construída em paralelo com a primeira, uma muralha
de noite. Poucos machados tinham alguma vez sido
brandidos naquela floresta negra, onde até o luar não
conseguia penetrar o antigo emaranhado de raízes,
espinhos e ramos. Lá onde as árvores cresciam
enormes, e os patrulheiros diziam que pareciam
meditar e que não conheciam os homens. Pouco
surpreendia que a Patrulha da Noite lhe chamasse a
Floresta Assombrada.
Ali, em pé, olhando para toda aquela escuridão sem
um fogo a arder onde quer que fosse, com o vento
soprando e o frio que era como uma lança nas
entranhas, Tyrion Lannister sentiu que quase podia
acreditar na conversa sobre os Outros, os inimigos
da noite. Suas brincadeiras sobre gramequins e
snarksji. não lhe pareciam assim tão engraçadas.
- Meu tio está ali - disse Jon Snow em voz baixa,
inclinando a lança enquanto mantinha os olhos fixos
na escuridão. - Na primeira noite em que me
mandaram aqui para cima, pensei que Tio Benjen
voltaria, eu seria o primeiro a vê-lo e sopraria o
corno. Mas ele não veio. Nem nessa noite nem em
nenhuma das outras.
- Dê-lhe tempo - disse Tyrion.
Longe, para norte, um lobo começou a uivar. Outra
voz juntou-se ao chamado, e depois uma terceira.
Fantasma inclinou a cabeça e escutou.
- Se ele não regressar - prometeu Jon Snow -,
Fantasma e eu vamos à sua procura - pousou a mão
na cabeça do lobo gigante.
- Acredito - disse Tyrion, mas o que pensou foi: E
quem irá à sua procura? Estremeceu.

Arya

Seu pai tinha estado outra vez lutando com o
conselho. Arya podia ver isto em seu rosto quando
chegou à mesa, de novo atrasado, como acontecia
tantas vezes. O primeiro prato, uma espessa sopa
suave feita com abóbora, já fora levado quando Ned
Stark entrou a passos largos no Pequeno Salão.
Chamavam-no assim para distingui-lo do Grande
Salão, onde o rei podia dar um banquete para mil
pessoas, mas era uma sala comprida com um teto
alto e abobadado, e lugar para duzentos convivas às
mesas.
- Senhor - disse Jory quando Stark entrou. Pôs-se de
pé, e o resto da guarda ergueu-se com ele. Todos os
homens usavam manto